Território do Bem

O Ateliê de Ideias desenvolve seus projetos no município de Vitória, prioritariamente, em uma região chamada pela população de Território do Bem. Como sua área de atuação pode ser a nível nacional já difundimos tecnologias sociais para mais de 32 municípios nas regiões sudeste e centro oeste do país.   

A região do Território do Bem é composta por seis bairros e três comunidades: São Benedito, Itararé, Bairro da Penha, Consolação, Gurigica, Bonfim Jaburu, Floresta e Engenharia, onde moram pessoas em situação de vulnerabilidade econômica, social, cultural e educacional. As referidas comunidades foram constituídas, aproximadamente, na década de 1970, através de ocupações em um morro de Vitória – Espírito Santo. Trata-se de uma área de encostas íngremes, de difícil acesso a vários pontos, onde a desigualdade social é claramente visível.  Do lado da cidade, avista-se do alto a linda ilha de Vitória com suas belíssimas construções a beira-mar. Do lado do morro, encontram-se construções muito precárias. A população é de aproximadamente 35.000 habitantes, ou seja, aproximadamente, 10% do município de Vitória.

O Ateliê de Ideias já realizou duas pesquisas “Saberes, fazeres e Perfil dos Moradores do Território do Bem” uma realizada em 2008 e outra em 2019, com o objetivo de entender melhor a dinâmica comunitária, identificar prioridades e contribuir para a formulação de projetos inovadores, capazes de causar impactos no desenvolvimento local. Conhecer o território é fundamental para o sucesso do trabalho da OSC e para orientar a própria comunidade para a governança comunitária.  

A pesquisa do ano de 2019, em parceria com o Fórum Bem Maior (fórum de moradores do Território do Bem) pode ser visualizada no Site do Calango Notícias. Foram entrevistadas 400 famílias. A Pesquisa apontou que a situação delas piorou com relação à renda, tendo em vista a Pesquisa de 2008, já que 51,75% das famílias entrevistadas declararam ter renda entre um e dois salários mínimos, o que já as colocava na linha da pobreza. E em situação ainda pior estavam 16,25% das famílias entrevistadas, com renda familiar menor que um salário mínimo. 

A pesquisa mostrou que 3,5% dos entrevistados têm diploma do ensino superior e outros 2% estão cursando o Ensino Superior. Além disso, o número de moradores que concluíram o ensino médio é de 28,25% e outros 3,25% concluíram o Técnico profissionalizante. Mas é notório que o Território do Bem ainda tem um grande número de pessoas com baixa escolaridade, com 32,75% de moradores com o Ensino Fundamental Incompleto e 5,5% de pessoas não alfabetizadas.

Sobre as idades dos membros das famílias a pesquisa apontou que 27,12% são crianças e adolescentes de 0 a 14 anos. De 15 a 19 anos são 9,43%. E, somando os índices com faixas etárias acima de 60 anos, temos 10,82%. Constatando-se que mais da metade das pessoas do território – 52,5% – são jovens e adultos e estão em idade produtiva. 

A pesquisa ampliou as perguntas relacionadas às questões sociais em especial sobre a situação da dignidade das moradias. Foi perguntado sobre os problemas comuns nas residências. Cada um dos que responderam a esta pergunta pôde elencar mais de um problema. Entre eles, destaca-se que 51.50% das residências não possuem afastamentos adequados dos vizinhos, e que em 30.50% das casas existem manchas de umidade próximas ao telhado ou ao chão. A falta de espaçamento entre as residências de baixo custo, muitas vezes construídas por seus próprios moradores, sem projeto ou acompanhamento técnico, somada à alta densidade populacional pressupõem problemas de insolação e ventilação. Considerando ainda outros apontamentos da pesquisa – como 25,25% das unidades contendo partes das paredes sem reboco, 24,25% com cômodos da casa sem janelas, 22,5% das casas sem azulejos em cima da pia da cozinha e 12,75% sem revestimento no piso da cozinha ou do banheiro – temos uma boa porcentagem de unidades residenciais com condições insuficientes de salubridade e conforto. É importante ressaltar que uma casa adequada, segura e acessível é imprescindível na promoção de direitos fundamentais, como saúde, educação e na garantia da proteção e dignidade de seus moradores. 

O Ateliê de Ideias desde 2006 criou um eixo programático na área de Habitação que tem como objetivo executar ações que permitam propiciar mais dignidade às moradias. A pesquisa veio confirmar a necessidade real de ampliarmos os projetos nessa área. 

Somando a atuação do tráfico de drogas a todas as condições apontadas, há um complicado panorama de criação de representação social negativa, o que dificulta o acesso da população local a oportunidades e serviços disponíveis no mercado formal e aponta a necessidade de ampliarmos os projetos na área de desenvolvimento local e comunitário.